Sobriedade desejada
O apóstolo Paulo escreve sua carta de despedida a Timóteo. De suas palavras transparece uma calorosa afeição para com seu "filho na fé". Ao mesmo tempo, suas palavras demonstram uma visão clara, com a qual ele — guiado pelo Espírito Santo — enxerga um tempo futuro até os nossos dias. E em meio a tudo isso, revela-se em suas palavras uma sobriedade impressionante.
Quando se enfrenta a morte como mártir, como Paulo, não há espaço para romantismo de despedida; então é preciso dar os últimos passos da corrida de forma reta e com objetivo definido. Mas essa sobriedade não é fria; ela é o resultado de um crente ter chão firme debaixo dos pés, porque ele "sabe em quem tem crido" (cap. 1:12). A partir dessa firmeza interior, Paulo pode aconselhar, encorajar e orientar com coração amoroso — chegando até a expressar a esperança de ver Timóteo novamente.
O otimista espera que não seja tão ruim quanto se teme. O pessimista sempre teme o pior. Nenhum dos dois, porém, é uma atitude particularmente espiritual para um cristão, e é da sobriedade que somos preservados de ambos. Às vezes se ouve: "A razão calcula, mas a fé confia." — Certamente, fé sem confiança é impensável. E, no entanto, a fé também "calcula", mas ela calcula com Deus. Aí está a diferença.
Em algumas situações só nos resta confiar: Nas doenças e em outras circunstâncias permitidas por Deus, às quais estamos sujeitos como seres humanos. Que consolo é saber que estamos seguros em Suas mãos. Mas quando se trata da parte ativa da nossa vida de fé, do cumprimento das nossas tarefas, de "guardar o bom depósito" (cap. 1:14) e do caminho de fé que trilhamos conscientemente, então precisamos desse confronto sóbrio com Deus.
Leitura Bíblica Diária:
📖 Josué 6:1-14
📖 1 Coríntios 4:1-10