Este breve relato da jornada dos israelitas pelo deserto afirma 41 vezes, de forma sucinta e sem maiores detalhes: “Partiram... e acamparam”. Por que Deus reconta as etapas da jornada de 40 anos do seu povo, mesmo que elas já tenham sido descritas em detalhes?
Quando um israelita que chegava à terra de Canaã após a jornada pelo deserto ouvia este relato conciso, associava cada lugar a memórias marcantes: Ramessés o fazia lembrar da escravidão no Egito e do cordeiro pascal sacrificado pela salvação; o Mar Vermelho, da travessia milagrosa e da libertação do exército do faraó. Em Mara, ele se lembrava da água amarga que se tornou potável por um pedaço de madeira; em Refidim, associava-a à vitória sobre Amaleque. Quibrote-Hataavá representava a murmuração do povo, Cades a incredulidade e Sitim o pecado. Alguns lugares talvez não significassem nada para ele. Finalmente, chegou o Jordão — a última parada no deserto, pouco antes do destino final. Foi nesse ponto, senão antes, que os israelitas realmente compreenderam a graça com que Deus os havia conduzido à terra prometida, apesar de suas falhas e incredulidade.
Podemos comparar nossa jornada de fé à jornada dos israelitas pelo deserto. Ela começa com a nossa salvação e termina no destino celestial. Lá, no tribunal de Cristo, veremos nosso caminho à luz de Deus: as vitórias da fé e o refrigério que Ele nos concedeu, mas também nossas falhas e derrotas. Então, reconheceremos quantas vezes Ele — talvez sem que percebêssemos — nos protegeu dos caminhos errados. Ele nos carregou "como um pai carrega seu filho" (Deuteronômio 1:31). Que graça! O breve relato em Números 33 já nos leva a refletir sobre isso. Talvez seja por isso que Deus o escreveu desta forma.
Leitura bíblica diária: Jeremias 50: 1 - 28; Romanos 14: 13 - 23
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