Que os discípulos, apesar de usarem o Pai-Nosso durante a vida do Senhor, ainda não oravam em Seu nome, fica inconfundivelmente claro pelas palavras de João 16, que Ele lhes falou pouco antes de Sua crucificação:
“Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra” .
O Senhor Jesus está aqui em espírito além da obra consumada no Gólgota e olha para o tempo depois disso, que seria marcado pela vinda do Espírito Santo à terra e por Sua habitação nos seus . A esse tempo, o presente tempo da graça, Ele chama de “aquele dia” . Então eles orariam de uma maneira totalmente nova: em Seu nome. Até então não tinham orado assim. A oração de Mateus 6 era uma oração ao Pai; mas antes que, pelo sangue de Cristo, fosse feita a expiação e, em resposta a uma obra consumada, viesse o Espírito Santo, uma oração em Seu nome era totalmente desconhecida, sim, impossível. A oração em nome do Senhor Jesus é um dos privilégios e marcas especiais do presente tempo da graça.
*Nome* na Bíblia significa a plena revelação do que alguém é. Orar em nome do Senhor Jesus significa, portanto, orar de maneira correspondente e no valor daquilo que o Senhor Jesus, o Filho do Pai, revelou de Si mesmo. O nome, ou a revelação do Filho, tem aos olhos do Pai um valor inestimável, e nesse nome, nessa estima, os filhos de Deus podem aproximar-se do Pai e derramar diante dEle as suas petições, com a certeza de que Ele as ouvirá. É uma posição de valor inimaginável, concedida a todo filho de Deus e fundamentada e assegurada pela posse do Espírito Santo.
Além do nosso direito de acesso ao Pai, orar em Seu nome inclui também o privilégio de nos aproximarmos dEle na força e em todo o valor do nome de Seu Filho, sendo que o Espírito Santo que habita em nós não só nos dá a consciência de nossa posição como filhos diante do Pai , mas também a força espiritual para usar esse novo privilégio.
Bênção incompreensível: que nos foi dado um nome no qual podemos apresentar nossas petições a Deus! E esse nome é o nome do Senhor Jesus glorificado, que está agora à direita de Deus, não o nome do Desprezado na terra, mas do Glorificado no céu. Que poder há nesse nome! Todo joelho dos celestiais, dos terrenais e dos subterrâneos um dia se dobrará em nome de Jesus , e nós temos o privilégio de nos aproximar do Pai nesse nome. A oração em Seu nome é, portanto, o resultado de Sua obra consumada e da posição que Ele ocupa agora à direita do Pai. É um privilégio da dispensação cristã.
A oração propriamente cristã é a oração em nome do Senhor Jesus. Ela abrange todo tipo de petições. Naturalmente, numa reunião de oração, pedidos pessoais não são apropriados. Isso, porém, não significa que também pedidos pessoais ou familiares não possam ser orações em Seu nome. Por isso eu disse: Ela abrange todo tipo de petições. Se uma oração é uma oração em nome do Senhor Jesus não é decidido pelo tipo de pedido, mas por ter sido efetuada pelo Espírito de Deus. Por isso creio que orar no Espírito Santo ; é fundamentalmente a mesma coisa que orar em Seu nome. Só que um destaca mais a força operante e controladora que, no tempo devido, produz o que é absolutamente correto e conforme a Deus, enquanto o outro destaca mais o valor do nome pelo qual podemos nos aproximar de Deus.
Mas nunca oramos diretamente ao Espírito Santo (não encontramos isso em parte alguma da Escritura), mas a Deus, ao Pai, ao Senhor Jesus. O Espírito Santo, que é absolutamente Deus e habita em nós, é, porém, a força de nossas orações.
Portanto, embora a oração em Seu nome possa abranger todo tipo de petições, a expressão “em Meu nome” também encerra uma condição restritiva. Pois Seu nome não só inclui, mas também exclui. Impossível, por exemplo, associar ao Seu nome coisas vãs, profanas, tolas ou obstinadas! O Espírito Santo jamais fará isso. Por outro lado, também nem todo pedido em si correto é automaticamente um pedido em nome do Senhor. Assim, pode ser que alguém ore pela pregação pública do Evangelho em seu local – uma coisa boa em si mesma – e isso, contudo, não corresponda ao pensamento do Espírito Santo, porque talvez determinadas circunstâncias no momento sejam contrárias. A causa pela qual se ora pode ser boa, mas não é o lugar certo, o tempo oportuno, e assim por diante. Ora, então não é uma oração em nome do Senhor, não é orar no Espírito Santo.
Se tivermos isso em mente, entendemos melhor por que, apesar da extraordinária amplitude da promessa nas palavras do Senhor, nem todos os pedidos recebem de fato resposta. “Tudo quanto pedirdes ao Pai... Ele vo-lo dará.” Uma promessa absoluta de resposta a todo pedido, de fato! Mas nas palavras “Tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome...” está também uma condição que facilmente se ignora. Orar em Seu nome é, portanto, privilégio e responsabilidade ao mesmo tempo. Isso explica por que muitas de nossas petições nunca foram ouvidas. Achávamos que eram em Seu nome, mas na realidade não tinham sido efetuadas pelo Espírito Santo. Evidentemente não tínhamos captado a mente do Espírito nesse ou naquele assunto. Isso é sem dúvida humilhante para nós. Certamente também entendemos que uma oração não se torna uma oração em Seu nome pelo simples uso da fórmula “Oramos isto em nome do Senhor”.
A Escritura dá perfeitamente espaço ao pensamento de que “não sabemos orar como convém”; mas “aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos” . O que é, portanto, absolutamente necessário, é ter a mente do Espírito com relação ao assunto que nos ocupa; e isso só nos pode ser concedido se estivermos e permanecermos perto do Senhor.
“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” .
A comunhão pessoal com o Senhor Jesus e a familiaridade do coração com Sua Palavra nos guardarão de pedidos que não estão de acordo com Seus pensamentos.
ChB
Ermunterung+Ermahnung 5/89
Nenhum comentário:
Postar um comentário