Quando o louvor se silencia
Martinho Lutero (1483-1546) traduziu o versículo do dia da seguinte forma: “Deus, a ti se louva em silêncio.” Ele interpretou o silêncio de forma positiva, como um lugar de paz ou um estado de harmonia.
A tradução escolhida acima, por outro lado, interpreta o silêncio como desarmonia, como um bloqueio: na verdade, Deus deveria ser louvado — mas, em vez disso, reina o silêncio.
Obviamente, o salmista Davi se sente inibido em louvar a Deus porque tem suas transgressões, seus pecados, diante dos olhos. Somente quando ele percebe que Deus perdoa as transgressões de seu povo (v. 3), que Ele é um “Deus perdoador” (Neemias 9: 17), ele revive. De repente, ele fala da comunhão com Deus no templo (v. 4) e O invoca como o “Deus da nossa salvação”, que é a “esperança de todas as extremidades da terra e daqueles que estão longe sobre o mar” (v. 5). Por fim, Davi olha para o futuro e vê um tempo em que o júbilo e o canto preencherão o mundo inteiro — do Oriente ao Ocidente (v. 8).
Nós também queremos louvar e agradecer a Deus. Mas, às vezes, ficamos em silêncio e não conseguimos formular palavras ou sentimentos de louvor e gratidão. As razões para isso podem ser diversas: circunstâncias de vida difíceis, os caminhos inexplicáveis de Deus conosco — ou culpa que nos paralisa e obscurece o prazer da comunhão com o Senhor. Façamos como Davi: digamos abertamente ao nosso Senhor o que nos move e nos inibe. Porque Ele afinal “ouve as orações!” (v. 3). E se realmente houver culpa, então vamos confessá-la. Ele nos perdoará e nos abençoará com a “bondade da sua casa” (v. 5), pois “o rio de Deus, que está cheio de água” (v. 9). E então também nós poderemos voltar a se regozijar e cantar (v. 13).
Leitura bíblica diária: Êxodo 12: 1 - 16; Lucas 5: 12 - 16
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