O profeta Miquéias anuncia o julgamento de Deus tanto ao reino do norte de Israel quanto ao reino do sul de Judá. De Samaria, a capital de Israel, restará apenas um monte de pedras (v. 6). Mas Judá também não será poupada: o inimigo avançará “até à porta do meu povo, até Jerusalém” (v. 9). Isaías, contemporâneo de Miquéias, descreve o mesmo acontecimento com a imagem de uma inundação: O inimigo “passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele, e chegará até ao pescoço” (Isaías 8:8). O que ambos os profetas anunciam se cumpre mais tarde pelo rei assírio Senaqueribe (Isaías 36-37).
Mas Miquéias e Isaías não falam como pessoas alheias, como observadores distantes. Não, sua mensagem não os deixa indiferentes. Eles sofrem com o que profetizam. Miquéias expressa sua tristeza publicamente — com gritos de lamentação, descalço e sem túnica. Jeremias, que quase 140 anos depois anuncia a destruição de Jerusalém pelos babilônios — e ele mesmo testemunha — também sofre: “A minha alma chorará em lugares ocultos”, diz ele, “os meus olhos e se desfarão em lágrimas”. O Senhor Jesus também chorou pela obstinação de seu povo (Jeremias 13:17; Lucas 19:41).
O que sentimos quando pensamos no julgamento vindouro sobre os perdidos? Isso nos deixa indiferentes? Talvez sintamos até uma certa satisfação? Ou isso nos causa dor? Paulo tinha uma “dor incessante” em seu coração quando pensava em seus compatriotas (Romanos 9: 2, 3). Deveríamos sentir menos quando pensamos no julgamento que atingirá aqueles que se perderão? Se pensássemos mais na longanimidade de nosso Senhor, que “não quer que alguns se percam” (2 Pedro 3:9), não oraríamos mais intensamente por nossos parentes e amigos, com o coração ardente e os olhos marejados?
Leitura bíblica diária: Êxodo 15: 17 - 27; Lucas 7: 1 - 10
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